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Arthur Henrique: 'A disputa de interesses que gerou o golpe está no ramo de vocês'

19 de Setembro de 2019

Sindical

"Se não entender isso, não entende o golpe", diz ele.

O diretor da Fundação Perseu Abramo, Arthur Henrique da Silva Santos, explicou, na manhã desta quinta-feira (19/09) durante a Plenária Regional da CNQ/CUT Sudeste 1, em SP, que um dos verdadeiros motivos que motivou o golpe e a eleição de Jair Bolsonaro passa por uma disputa estratégica no ramo abarcado pela CNQ/CUT.
 
A China tem feito uma movimentação significativa para escoar as commodities da América Latina e Caribe pelo Canal Interoceânico da Nicarágua em vez do Canal do Panamá. Isso ocorre porque as reservas estratégicas de minérios no mundo estão na nossa região.
 
A América Latina, por exemplo, concentra 96% de todo o lítio no mundo e 95% de todo o nióbio. "Se não entender isso, não entende o golpe, porque a disputa de interesse é esta e está no ramo de vocês, é isso o que move o mundo", afirma. "Querem que o Brasil continue sendo um exportador de matéria-prima, com baixos salários e poucos direitos", afirma.
 
Bolsonaro e seu filho são os principais defensores da entrega de reservas de nióbio, do fim das licenças ambientais e terras indígenas para favorecer as mineradoras e do fim dos direitos trabalhistas e previdenciários.
 
Sindicalismo do futuro
 
O convidado para falar da conjuntura e da geopolítica mundial aos participantes da Plenária Regional CNQ/CUT Sudeste 1 também falou que o desafio do sindicalismo não passa apenas pela questão econômica, e sim, organizativa.
 
"É preciso criar uma alternativa de organização, com custos compartilhados e adaptação à realidade social. Nós já não temos mais a mesma classe trabalhadora e o mesmo local de trabalho, temos que criar novas alternativas e lutar para transformar o que está nos matando" afirma ele, lembrando que o discurso em vigor é o do individualismo e a grande mídia trabalha para fomentar o empreendedorismo individual como forma de impedir a organização dos trabalhadores.
 
Arthur Henrique  lembrou que hoje há mais militares no governo alto escalão de comando do país do que em 1964, o que demonstra o tamanho da ofensiva pela nossa soberania nacional.