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Dilma veta 12 pontos do Código Florestal

28 de Maio de 2012

Brasil

  Ministros apresentam artigos vetados da reforma do Código Florestal pela presidenta Dilma O governo federal apresentou hoje (25) os vetos da...

 

Ministros apresentam artigos vetados da reforma do Código Florestal pela presidenta Dilma
Ministros apresentam artigos vetados da reforma do Código Florestal pela presidenta Dilma
O governo federal apresentou hoje (25) os vetos da presidenta Dilma Rousseff ao projeto de lei aprovado na Câmara para alterar o Código Florestal. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, vetou 12 pontos, no geral retomando aquilo que havia sido aprovado no Senado.

Foram 32 modificações promovidas pelo Executivo e mais de duzentos ajustes. Dilma barrou a possibilidade de anistiar quem desmatou além dos limites tolerados pela legislação. Além disso, recusou a diminuição das faixas de Área de Preservação Permanente (APP), que devem ter no mínimo 30 metros. A ministra explicou que foram feitos estudos científicos levando em conta a estrutura fundiária do Brasil e as diferenças regionais e de fauna. 

“O veto é parcial em respeito à democracia e ao diálogo com a sociedade”, disse a ministra, em referência à atuação de representantes da bancada do agronegócio que promoveram na Câmara alterações em um texto que havia sido pactuado entre o Executivo e o Legislativo.

Izabella Teixeira explicou o porquê de o governo ter decidido pelos doze vetos: respeito ao Congresso Nacional, evitar insegurança jurídica, evitar a inconstitucionalidade, não anistiar desmatamentos e não permitir a redução da proteção. "O foco que o governo está dando é no debate que a sociedade e o Congresso têm travado durante todos esses meses", explicou a ministra. 

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, foi na mesma linha ao afirmar que a decisão do Planalto respeita o debate que foi feito com a sociedade. “Temos a certeza de que é possível produzir sem desmatamento. Este não é o Código dos ruralistas.” Ele preferiu minimizar a possibilidade de que a bancada ruralista fique insatisfeita com a decisão de Dilma. “Não acredito em bancada ruralista, não acredito em bancada do meio ambiente. Existe uma disposição da sociedade brasileira de passar segurança jurídica ao nosso produtor e ter a certeza de que vamos controlar nosso meio ambiente.”

O governo deve apresentar ao Congresso uma medida provisória com as alterações propostas por Dilma. Questionado se o Executivo não sofrerá novas derrotas, como nas duas passagens do texto do Código Florestal pela Câmara, o advogado-geral da União Luís Inácio Adams descartou a possibilidade. “Estamos resgatando uma posição que traz o equilíbrio esperado por todos. Este texto deverá ser aprovado porque traz o acúmulo deste debate.”

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, garantiu que, com essas modificações, o Brasil poderá suprir demandas internas e externas. "70% dos alimentos consumidos no Brasil vêm da agricultura familiar, que são propriedades de até quatro módulos fiscais. Essa agricultura também é responsável nas cadeias produtivas por cerca de um terço das exportações. Na nossa avaliação, elas preservam a possibilidade de o Brasil produzir alimentos e garantir um papel preponderante na escala internacional", destacou Vargas, acrescentando que a recomposição das áreas desmatadas será feita de acordo com a renda e o tamanho da propriedade.

Agora, o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), tem 30 dias após receber o texto para colocar em votação os vetos de Dilma. Para derrubá-lo, é necessário ter a maioria absoluta de deputados (257) e senadores (42). A última vez que isso ocorreu foi em 2005, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou projeto que concedia reajuste salarial aos servidores do Legislativo.

 

Confira aqui a apresentação sobre os vetos e  alteração no Código Florestal.