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Rompimento da barragem em Brumadinho deixa pelo menos 65 mortos e 279 desaparecidos

25 de Janeiro de 2019

Minérios

Na hora do rompimento, o refeitório da Vale estava servindo o almoço. Trabalhadores foram soterrados.

O rompimento da Barragem Mina Feijão da mineradora Vale do Rio Doce atingiu a cidade de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, na tarde desta sexta-feira (25). De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Minas Gerais, 65 pessoas morreram e pelo menos 279 pessoas estão desaparecidas entre moradores da região e funcionários da empresa.
 
Segundo a direção da Vale, a área administrativa, onde estavam funcionários, foi atingida, assim como a comunidade da Vila Ferteco. No momento do rompimento da barragem, o refeitório da Companhia Vale do Rio Doce estava servindo o almoço. A capacidade do salão era para 2 mil pessoas. Trabalham na unidade 613 trabalhadores, em 3 turnos, mais 28 pessoas terceirizados. O refeitório foi soterrado, mas não há ainda informações sobre quantas pessoas estavam no local, de acordo com a Defesa Civil.
 
A cidade está um pandemônio
 
Após o rompimento, moradores procuram se abrigar nas áreas mais altas da cidade e ter informações sobre familiares e conhecidos que estavam próximos ao local. "A cidade está um pandemônio. As pessoas estão muito assustadas", relata Genilda Dalabrida, dona de um restaurante na cidade, a Agência Brasil.
 
Genilda disse que os moradores estão acompanhando os resgates e procurando familiares, amigos e conhecidos que estavam próximos ao local e podem ter sido atingidos. "Você vê pessoas com celular na mão, tentando falar com família", disse. Genilda relata que está tentando encontrar o ex-marido, que trabalhava no local, mas ainda não conseguiu contato.
 
A moradora disse, ainda, que as pessoas estão buscando se deslocar para regiões mais seguras, nas áreas mais altas da cidade. E os donos de comércios no centro estão fechando as lojas.
 
"A preocupação é quem não está lá ir para locais seguros. Minha funcionária foi, voltou, e disse que a água estava baixa. Ela contou que vai para a casa da sogra, em um distrito mais alto".
 
Seu restaurante fica em um local na área mais alta. Ela chamou amigos para se abrigarem lá. "Nós estamos seguros porque não estamos perto do rio. Tem muito lugar para espalhar até chegar aqui, não temos risco", disse.
 
Tragédia pode ser maior do que a ocorrida em Mariana
 
O acidente ocorre cerca de três anos depois da tragédia de Mariana, também em Minas Gerais, como lembrou a RBA. Naquele que é o maior acidente ambiental da história do Brasil, uma barragem da mineradora Samarco, pertencente à Vale e à BHP Billinton liberou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos, o suficiente para encher 24.800 piscinas olímpicas. Morreram 19 pessoas do distrito de Bento Rodrigues, além de a lama tóxica ter deixado um rastro de destruição pela extensão do Rio Doce até o Oceano Atlântico, com prejuízos ambientais incalculáveis.
 
O governo de Jair Bolsonaro enviou três ministros ao município: Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e o almirante Bento Albuquerque (Minas e Energia). O governador Romeu Zema anunciou a criação de um gabinete estadual de crise.
 
A prefeitura emitiu alerta para que a população se afaste do rio Paraopeba, para evitar contaminação por possíveis matériais tóxicos.
 
De acordo com o site da empresa há duas barragens com o nome Mina do Feijão, uma delas com cerca de um milhão de metros cúbicos e outra, com aproximadamente 290 mil metros cúbicos e é utilizada para a "contenção de sedimentos e clarificação do efluente final."
 
Também ao portal O Tempo, o promotor Guilherme Meneghin, da 1ª Promotoria de Mariana, que atuou no rompimento das barragens da Samarco, disse que o rompimento de Brumadinho é uma "tragédia anunciada" e que a Vale "tem completa noção de que todas as suas barragens de rejeitos, nessa configuração de barragens – à montante nas comunidades –, inevitavelmente em algum momento vão ser rompidas".
 
Meneghin disse que uma nova batalha judicial entre as vítimas e a empresa deve se iniciar nas mesmas dificuldades do que ocorreu em Mariana. "Com uma legislação fraca, que fragiliza as vítimas frente essas grandes empresas, vai ser uma verdadeira batalha judicial como estávamos enfrentando aqui para garantir a reparação das vítimas e do meio ambiente. É lamentável", finalizou o promotor.