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Unidade sindical exige negociação e fim das demissões na Braskem

27 de Janeiro de 2026

Setoriais

CNQ, federações e sindicatos filiados alertam para impactos sociais e riscos à segurança das plantas industriais; denúncia já chegou ao presidente Lula

 
Dirigentes de sindicatos e federações do Ramo Químico da CUT, com base de trabalhadores e trabalhadoras na Braskem, somaram forças em reunião com o setor de Recursos Humanos da empresa, realizada em São Paulo, com um objetivo comum: exigir o fim da onda de demissões e a suspensão do “pacote de maldades”, que atinge até a alimentação e os uniformes no local de trabalho. 
 
As medidas adotadas pela empresa ocorreram após a veiculação de notícias acerca da possível transferência da maior parte das ações para uma gestora de investimento e já haviam sido denunciadas em carta conjunta entregue em mãos ao presidente Lula e à presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, durante agenda realizada no Rio Grande do Sul, com a participação do SINDIPOLO e do SINDIPETRO-RS. 
 
A unidade das representações sindicais dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul foi decisiva para fortalecer a reação dos trabalhadores e trabalhadoras diante dos acontecimentos recentes na Braskem. A mobilização resultou na formalização do pedido de abertura imediata de uma mesa permanente de negociações com a empresa.
 
Durante a reunião com o RH, os sindicatos destacaram dados objetivos: a mão de obra representa menos de 5% do custo total de produção do setor petroquímico - percentual ainda menor quando comparado ao faturamento da Braskem. Ou seja, as demissões não produzem impacto financeiro relevante sobre a amortização da dívida herdada da gestão Odebrecht. Por outro lado, os impactos sociais e produtivos são profundos.
 
As demissões afetam diretamente a segurança das plantas industriais, reduzem a produtividade, comprometem a atualização tecnológica e dificultam a recuperação da empresa, especialmente diante da alta especialização e qualificação profissional dos trabalhadores e trabalhadoras desligados.
 
Para o presidente da CNQ, Geralcino Teixeira, a mobilização sindical será decisiva neste momento de incertezas sobre o futuro da gestão da Braskem. “Estamos vivendo um período sensível, e a unidade dos sindicatos, inclusive para além da CUT, com a participação da Força Sindical, é fundamental. O fato de termos levado essa pauta também ao Governo Federal e à Petrobras, que pode vir a assumir maior protagonismo na condução da empresa, nos fortalece. Mostra que estamos atentos e que nada será enfiado goela abaixo. O diálogo precisa ser o norte desse processo”, afirmou.
 
A CNQ reafirma que trabalhadores e trabalhadoras não são custo, mas parte essencial da operação segura, da produção, da inovação e do futuro da indústria petroquímica brasileira.