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Crise dos fertilizantes mobiliza sindicatos do Setor Minérios em defesa dos empregos e da produção nacional

30 de Julho de 2026

Setoriais

Governo aponta que garantia de postos de trabalho é condição para avançar no debate sobre subsídios; Mosaic já fechou fábrica e paralisou mina

 

O agravamento da crise no setor de fertilizantes já provoca impactos sobre trabalhadores de diferentes regiões do país e acendeu um alerta para a produção nacional. Diante do fechamento e paralisação de unidades da Mosaic, da adoção de programas de layoff e da ameaça de novas demissões, sindicatos filiados à CNQ-CUT intensificaram as articulações com o governo federal em busca de soluções que garantam a manutenção dos empregos e da capacidade produtiva instalada no Brasil.

Representantes do Sindicato Metabase de Patos de Minas e Região e do SIMA – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Extração de Metais e Minerais de Araxá participaram, nas últimas semanas, de reuniões nos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agricultura (Mapa), Casa Civil e Fazenda - o setor patronal também esteve em algumas das agendas.

Segundo os dirigentes, o principal problema é a interrupção no fornecimento de enxofre importado, consequência da crise geopolítica no Oriente Médio e das dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz. O preço da tonelada do insumo, que variava entre US$ 50 e US$ 80, chegou a cerca de US$ 1.200, comprometendo a produção de fertilizantes no país.

 

Fechamentos e layoff

Os impactos já são sentidos em diversas unidades da Mosaic.

Em Araxá (MG), a fábrica de fertilizantes foi colocada à venda. A unidade empregava cerca de 600 trabalhadores próprios e aproximadamente 2 mil terceirizados. Segundo o SIMA, apenas 84 empregados deverão permanecer temporariamente até a conclusão das atividades de encerramento da planta. 

O sindicato atuou para assegurar o pagamento de até dez salários-base, a manutenção do plano de saúde por quatro meses, além do prolongamento de outros direitos assegurados pela negociação coletiva, mas os impactos para a economia local e para o sustento de centenas de famílias é imensurável.

Na mina de Tapira (MG), também na base do SIMA, aproximadamente 600 trabalhadores, incluindo a usina de beneficiamento, serão atingidos por um programa de layoff até dezembro. Cerca de metade dos empregados permanecerá na manutenção da unidade, enquanto outra parte ficará afastada temporariamente. O sindicato também acompanha a informação sobre a demissão de 42 trabalhadores, cuja lista oficial ainda não foi apresentada pela empresa.

“Não sabemos se a quantidade de trabalhadores na manutenção será suficiente para manter as condições de retomada caso isso aconteça depois de dezembro. Estamos em um momento muito difícil”, diz Vicente Magalhães, do SIMA.

Em Patrocínio (MG), onde atua o METABASE de Patos de Minas e Região, a Mosaic hibernou sua unidade, com 800 demissões.

Também já há impactos em mais unidades da empresa, como Uberaba (MG), Catalão (GO) e Paranaguá (PR), entre outras.

Ainda na região do METABASE de Patos de Minas, a crise afeta também a EuroChem, unidade de Serra do Salitre (MG). Sua diretoria esteve presente na subsede de Patrocínio do sindicato para apresentar informações sobre o atual cenário enfrentado pelo setor de fertilizantes.

Na ocasião, foi informado que a empresa estuda a adoção de um programa de layoff, como medida temporária para preservar os empregos, enquanto aguarda uma resposta do governo em relação às ações voltadas à crise de abastecimento de matéria-prima.

O METABASE informa que aguarda o agendamento de uma reunião oficial com a empresa para discutir e negociar eventuais medidas, sempre com o objetivo de garantir a proteção dos direitos dos trabalhadores, a manutenção dos empregos e a continuidade das atividades industriais.


 

Governo cobra garantias

Durante reunião no Ministério da Fazenda, representantes da Mosaic solicitaram apoio temporário do governo para enfrentar o aumento do custo do enxofre. A resposta da equipe econômica foi de que qualquer medida dependerá de contrapartidas claras por parte da empresa.

Entre elas, está a garantia de manutenção dos empregos e da produção no país.

Para os sindicatos, não faz sentido conceder incentivos públicos sem compromisso com os trabalhadores e com a indústria nacional.

Outra preocupação surgiu durante as discussões em Brasília. Segundo o presidente do SIMA, Vicente Magalhães, a empresa chegou a mencionar a possibilidade de importar fosfato de Marrocos, medida que poderia comprometer o futuro da operação da mina de Tapira ao substituir a matéria-prima produzida no Brasil.

Além da questão industrial, o sindicato denuncia que a Mosaic também pretende retirar dos trabalhadores uma área de lazer utilizada há décadas pela categoria, onde foram construídos diversos equipamentos comunitários.

 

 

Impacto pode chegar ao consumidor

O companheiro Flávio Floriano, do METABASE, alerta que o problema ultrapassa os limites das unidades da Mosaic. A redução da produção nacional de fertilizantes tende a aumentar a dependência de produtos importados, elevar custos para o agronegócio e, consequentemente, pressionar os preços dos alimentos.

Enquanto aguardam uma definição do governo e da empresa, com o apoio da CNQ, os sindicatos seguem defendendo que eventuais medidas de apoio público estejam condicionadas à preservação dos empregos, da produção e da soberania nacional na cadeia de fertilizantes.